FELIZ-CIDADE-WI-FI

A cidade já foi sitiada, o espaço urbano já foi tomado como artefato manipulável para controle e vigilância, já se falou na metrópole punitiva, na cidade de quartzo, lá em 1990 Chico Science já cantou a cidade se tornou dispositivo de controle e vigilância de grupos inteiros de sujeitos, aliás, a cidade não controla mais indivíduos, ela os constroi delimitando escolhas e planificando comportamentos. Se para alguns “no go area” implica “não quero entrar” para outros somente significa “não posso sair”.

E como já se pensou uma arquitetura que não regula o encontro, mas o impede, não governa a interação, mas cria obstáculos, não disciplina as presenças, mas as torna invisíveis, se hoje as barreiras são simbólicas, então é preciso considerar ainda algo que tem afetado o espaço urbano ultimamente, a computação ubíqua, pervasiva, senciente.

É realmente maravilhoso acessar a internet de qualquer lugar, comprar com “mobile money” , transferir qualquer arquivo via bluetooth, organizar “smart mobs” por SMS, jogar “wireless games” com os amigos pela cidade. Mas a imersão da cidade na rede, o surgimento da cidade telemática na qual a rede é onipresente, cidade ambiente generalizado de conexão, associado à convergência de softwares, plataformas, aplicativos, equipamentos e aparelhos eletrônicos pode viabilizar a constituição de verdadeiro sistema multiagente de inteligência artificial.

Tais sistemas multiagente já estão sendo utilizados para controle do tráfego aéreo e ferroviário, no comércio eletrônico, monitoramento de pacientes, gerenciamento de processos de licitação, no teatro e cinema interativos.13  Se em uma dimensão macroscópica constituírem-se envolvendo também equipamentos eletrônicos destinados à segurança privada nada impede sejam empregados para controle situacional de grupos sociais considerados de risco, muito embora tramite na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei n.° 1.759/07 que pretende regulamentar a atividade das empresas de sistemas eletrônicos de segurança.

Enquanto isso, a Carta das Cidades Educadoras dispõe que as cidades deverão estar conscientes dos mecanismos de exclusão e marginalização que as afetam e como se apresentam a fim de desenvolver políticas de ação afirmativa necessárias, consagrando todos os esforços no encorajamento da coesão social entre os bairros e seus habitantes, de todas as condições. 14

Já se criticou a cidade-jardim-bela-radiante, hoje é preciso pensar sobre a cidade-wi-fi-on-line.

 

13 Smart: sistemas multi-agente robótico artigo de Jovani Alberto Jiménez Builes, Demetrio Arturo Ovalle Carranza, John Fredy Ochoa Goméz na revista Dyna, Medellín, ano 75, número 154, 2008.

 14 Carta das Cidades Educadoras promulgada no Primeiro Congresso Internacional das Cidades Educadoras realizado em Barcelona em 1990.

  

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