ÁGUA VIRTUAL

Em um texto memorável de 1995 o cientista Philip M. Fearnside argumentava em vinte páginas: extrativistas e outros povos da floresta necessitam desesperadamente de algo que possam vender. O desafio apontado seria converter serviços como a manutenção da biodiversidade, o armazenamento de carbono e a ciclagem da água em fluxos monetários, que possam apoiar uma população de guardiães da floresta, o que exigiria cruzar uma série de obstáculos.55

Comecei a calcular a quantidade de água exigida nas minhas atividades diárias, água verde, azul ou cinza, os conceitos de água virtual e pegada hídrica não se confundem. O conceito de Água Virtual foi introduzido por John Anthony Allan em 1998, sendo definida como água incorporada em “commodities”, ou seja, a água envolvida no processo produtivo de qualquer bem industrial ou agrícola. Pegada Hídrica é uma ferramenta desenvolvida para o cálculo da água necessária para produção de “commodities”, que representa o volume anual total de água utilizada para produzir os bens e serviços relacionados ao consumo. Esse conceito foi introduzido por Hoekstra e Hung em 2002, como um indicador para mapear o impacto do consumo humano em recursos globais de água doce.

Mas é possível ir as compras e salvar o planeta? William McDonaugh e Michael Braungart no livro Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things, lançado em 2002, pretendem que sim! Para eles os produtos de consumo deveriam ser fabricados imitando as leis da natureza, reaproveitando-se todos os elementos, em um ciclo de vida infinito.56 Um aparelho eletrônico como a TV, por exemplo, não seria mais adquirido pelo consumidor que compraria somente uma licença do produto, quando a TV estivesse velha poderia ser trocada por uma nova, devolvendo-se o aparelho ao fabricante que utilizaria os materiais em uma nova TV.57

Essa concepção altera por completo o conceito de “posse” sobre os bens e afeta a percepção que as pessoas têm de consumo. Para que sua floresta seja linda e radiante, talvez você queira incluir algo como cachoeiras e tempestades de vento, ou arco-íris permanentes!

 

55 Environmental Services as a Strategy for Sustainable Development in Rural Amazônia artigo publicado no livro Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Políticas Públicas, organizado por Clóvis Cavalcanti, Fundação Joaquim Nabuco, 2001.

56 Vá as compras e salve o mundo texto de Sabine Righetti e Karin Hueck na Revista Superinteressante edição 287, janeiro de 2011, disponível em https://super.abril.com.br/comportamento/va-as-compras-e-salve-o-mundo/ acesso em 2018.

57 Idem.

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