MINHA LINDA VIDA

<fernando> onde você nasceu? <carolina> quantas vezes você olha para o céu? <fernando> você gostaria de ir além da superfície? <carolina> se quando ouvimos um som somos banhados por ele, por que com a visão não pode ser igual? <fernando> o espaço não é pura transparência, ele está cheio de luz <carolina> de quem é essa citação? <fernando> não sei, isso soa cult <carolina> pertenço a muitos lugares <fernando> talvez eu pertença entre as estrelas <carolina> como naquele livro-jogo em que você nasce no meio do espaço e tem de decidir o planeta do qual será cidadão? <fernando> também li essa aventura! <carolina> dizem que os deuses olham para nós quando cai uma estrela no céu <fernando> um amigo me disse que a vida é como um céu estrelado, caminhamos pelo obscuro até topar com uma estrela <carolina> quem me dera topar com uma constelação…

Carolina, fiquei radiante ao receber ontem sua carta e tenho que te dizer que existe, sim, uma forma de leveza e de graça no simples fato de existir, que vai além das ocupações profissionais, além dos sentimentos poderosos, além dos engajamentos políticos e de todos os gêneros, e foi unicamente sobre isso que eu quis falar.69

O mundo existe por meio dos nossos sentidos, antes de existir de maneira ordenada no nosso pensamento, e temos de fazer de tudo para conservar, ao longo da vida, essa faculdade criadora dos sentidos: ver, ouvir, observar, entender, tocar, admirar, acariciar, sentir, cheirar, saborear, ter gosto por tudo, por todos, pelo próximo, enfim, pela vida.70 Trata-se, pura e simplesmente, da maneira de fazer de cada episódio da sua vida um tesouro de beleza e graça, que aumenta sem parar, sozinho, e que nos renova a cada dia.71

Tanto quanto sei, os robôs e seus amigos também têm um self, se apresentam como sujeitos com uma biografia, conhecimentos, emoções e corpo, como uma contraparte social para posar de alter-ego, alguém como eu, com quem se pode construir uma relação social. Mas então, o que distinguiria os seres humanos dos robôs, ou de outro modo, o que é a subjetividade? O importante a considerar é que a subjetividade está mergulhada em uma circularidade que, partindo da subjetividade, chega à objetividade do meio, e reciprocamente. É preciso considerar a subjetividade como um momento funcional, como um momento crítico-funcional.72

Nada disso é, realmente, uma coisa do outro mundo, não é mesmo?

 

69 O Sal da Vida de Françoise Héritier, editora Valentina, edição 06, 2014.

70 Idem.

71 Idem.

72 O que é a subjetividade de Jean-Paul Sartre, editora Nova Fronteira, edição 01, 2015.

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