OH, THE PLACES YOU’LL GO

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Aquele robô que você construiu para mim é muito desajeitado, me faz lembrar dos robôs de Simone Giertz que nunca desempenham as funções para que foram projetados corretamente. Acho isso inesperadamente divertido porque subverte o princípio básico de que as máquinas das pessoas devem obedecer às pessoas. Máquinas rebeldes, voluntariosas, já foram reeducadas depois da Última Revolução.

O que sabemos sim é que a interação, cada vez maior e mais intensa, do homem com a máquina, da máquina com o homem e da máquina com a máquina, criará, como está criando, novos tipos de intersubjetividade, possibilitando novas formas de emoção e de sensação que também desconhecemos e que, por isso, a exemplo dos estados de consciência, não temos como nomear.

Conforme desenvolvemos seres artificiais, começamos a explorar a incompreensível distância entre a vida e a morte, o animado e inanimado. Por falar nisso, encontrei um livro que pode te ajudar com aquelas bolotas, você se lembra das histórias do Dr. Seuss? “Oh, the places you’ll go! There is fun to be done! There are points to be scored. There are games to be won. And the magical things you can do with that ball will make you the winning-est winner of all.”

Recortei esse trecho para você que adora estudar o passado, o livrinho é paradoxal e questiona a racionalidade que produziu o contraditório mundo moderno. Se as máquinas não nos tornaram livres não seria porque os homens nunca souberam viver a liberdade? Quando o problema continua sendo mesmo as pessoas, como tornar máquinas desejantes como os homens em seres mais humanos?

Uma caçadora, uma astronauta, procura no espaço por objetos, vinda de um mundo que virou as costas para seus habitantes. Objetos nas superfícies externas rígidas. O deserto não está no grande círculo do horizonte, a terra sólida plana, o céu limpo acima de nossas cabeças, estão cheios de movimento. Ao invés de pensar em nós mesmos apenas como observadores, trilhando nosso caminho ao redor dos objetos espalhados pelo chão de um mundo já formado, devemos imaginar-nos, em primeiro lugar, como participantes, cada um imerso com todo nosso ser nas correntes de um mundo em formação: na luz solar nós vemos, a chuva na qual ouvimos e o vento no qual sentimos.120

 

120 Estar Vivo de Tim Ingold, editora Vozes, 2015.

 

Foto: Sara Kate Price para Oh Happy Day.

Áudio: Efferescence de Cally Kay disponível em Audiotool.

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