PARA LÁ DOS SONHOS

Nesta semana o Atlas da Desigualdade, um projeto conjunto do MIT Media Lab e da Universidade Carlos III de Madri, foi lançado na plataforma Carto. Utilizando dados do programa Data for Good do Cuebiq e dados anônimos do Foursquare para examinar os padrões de mobilidade humana os pesquisadores liderados por Esteban Moro e Alex Pentland criaram um índice de diversidade e constataram que em locais como restaurantes e galerias de arte a quantidade de pessoas de classes sociais diferentes compartilhando o espaço é muito reduzida.123

Na verdade os pesquisadores chegaram à conclusão de que para lá da questão da segregação, o fato é que tendemos a não interagir fora de nossas respectivas bolhas. A esperança é de que o Atlas da Desigualdade possa servir como uma ferramenta que não apenas instrua os usuários sobre quão diversas são suas interações (e os locais, lojas e restaurantes que visitam), mas também como um guia, mostrando aos espectadores que diversas opções e experiências estão bem ao lado.124

Desigualdade e segregação estão presentes até mesmo no ciberespaço, podem ser exatamente o outro lado da moeda de um fenômeno que tem sofrido muitas transformações nos últimos anos: a produção “peer-to-peer” ou “peer production”.

Na noite de 21 de novembro de 2017 um grupo denominado “Anarquistas” incendiou o Fablab La Casemate em Grenoble, França. Felizmente, ninguém ficou ferido. Em uma nota o grupo afirmou que as noções hackers de libertação através da tecnologia eram ilusórias e que, não importando quais fossem as aspirações utópicas, os setores criadores eram irremediavelmente e inseparavelmente parte de uma sociedade tecnológica hegemônica. Para os sabotadores, a popularização da fabricação e da cultura digital em La Casemate estava diretamente ligada à opressão das instituições sociais dominantes, e elas tiveram que ser desafiadas.125

Há realmente uma nova geração de “makerspaces” definida por encontros institucionais. São associações culturais, fundações, ONG’s, museus, bibliotecas e instituições estatais com as quais os “makerspaces” estão desenvolvendo parcerias e colaboração multilateral que desafiam o modo de governança típico da produção “peer-to-peer” baseado não por alocação de mercado ou hierarquia corporativa.126

“Makerspaces” devem ser vistos como locais de experimentação sociotécnica contínua. Já os espaços de convivência de hoje precisam refletir sobre como, precisamente, eles fornecem possibilidades sociais progressivas. A esperança em tais possibilidades é mantida por muitos – mas onde está a prova? Quem é libertado pela libertação e quem não é?

 

123 Mapping Segregation – MIT’s Atlas of Inequality artigo de Steve Isaac no site Carto disponível em https://bit.ly/2XMnhIT acesso em 2019.

124 Idem.

125 Liberatory Technologies for Whom? Exploring a New Generation of Makerspaces Defined by Institutional Encounters artigo de Kat Braybrooke e Adrian Smith no Journal of Peer Production, número 12, julho de 2018, disponível em https://bit.ly/2EWHnZn  acesso em 2019.

126 Idem.

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