BIKE MAP

Andar de bicicleta é delicioso e em muitas metrópoles no mundo inteiro as pessoas passaram a utilizar serviços de locação de bicicletas compartilhadas para fugir das complicações do trânsito ou para conservar o meio ambiente, promover saúde e alcançar bem-estar. Não se discute a importância desses projetos nas grandes cidades, mas os consumidores que optarem pelo serviço, no entanto, devem ficar atentos às cláusulas dos contratos.

Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), em parceria com o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), em Belo Horizonte, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro indica condições desfavoráveis e até abusivas para os clientes desses negócios. A análise levou em conta a clareza e objetividade dos contratos com relação a valores cobrados, período de utilização, prazo de devolução, entre outros aspectos. 141 A regra que mais merece atenção do consumidor, de acordo com o Idec, é a que trata do extravio da bicicleta. Todos os contratos preveem multa de mais de R$ 1.000,00 (mil reais) se o consumidor não devolver o equipamento, inclusive em caso de roubo ou furto, mesmo com apresentação de boletim de ocorrência. O cliente pode, ainda, ser acionado judicialmente e ter de pagar outros encargos, o que seria uma dupla penalização.142

O frontal desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor indica algo que já se suspeitava, os consumidores que utilizam serviços de compartilhamento se encontram em situação de hipervulnerabilidade, efeito colateral do consumo na pós-modernidade, como bem se vê com relação aos ciclistas que precisam utilizar serviços de bicicletas compartilhadas nas grandes cidades sujeitos a várias adversidades e constrangidos diante dos problemas de mobilidade em ruas lotadas de carros e com trânsito caótico.

Enquanto alguns serviços de compartilhamento não reconhecem o valor que os consumidores agregam para o negócio e para a sociedade e permanecem explorando a boa-fé dos ciclistas, há uma tendência em devolver poder e valor para os usuários de aplicativos e redes sociais, promovendo a mineração de conteúdo, ou seja, monetizando o conteúdo gerado pelos usuários em alguma moeda social ou criptomoeda. O propósito é construir uma função de bem-estar coletivo que sustente as novas formas de propriedade coletivas.143

No site Bike Map144, por exemplo, as informações que os ciclistas podem fornecer sobre o ambiente são valorizadas e os usuários são incentivados a compartilhar as suas rotas e criar mapas, e sim, você também pode encontrar ali uma bicicleta para alugar ou por que não uma máscara de mergulho, garrafas ao mar, bailes submersos, aulas sobre a língua dos peixes, o azul de Klein, astrolábios quebrados ou uma passagem secreta na areia cintilante, já que navegar é preciso, e é lindo demais.

 

141 Empréstimo e aluguel de bikes compartilhadas têm contratos e condições abusivas para o consumidor artigo do Idec disponível em https://bit.ly/2Zl1UBU acesso em 2019.

142 Idem.

143 Escolha coletiva, governança e direitos de propriedade: uma análise econômica dos commons artigo de Alain Herscovici na revista Nova Economia, número 23, 2013.

144 Disponível em https://www.bikemap.net/ acesso em 2019.

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