FLECHA DO TEMPO, UNIVERSOS PARALELOS, CAPACIDADE DE FAZER COISAS

Na natureza, a energia degenera, por isso o café quente que você toma para ficar desperto não esquenta na xícara, ele esfria. No mundo macroscópico, de acordo com a segunda lei da termodinâmica, o passar do tempo leva, inexoravelmente, ao aumento da desordem, a uma maior entropia. Mas, no limite em que se consideram átomos e elétrons, fenômenos estranhos acontecem: a ordem das trocas de calor pode se inverter e a entropia do sistema pode diminuir, dando a impressão de que o tempo fluiu na direção do passado.73

Segundo estudo de uma equipe internacional coordenada por físicos brasileiros a inversão da flecha termodinâmica do tempo ocorre em uma condição específica: apenas quando se estabelece um emaranhamento entre os átomos das partículas, com o emprego da técnica de ressonância magnética.74 Então a partícula fria perde calor e esfria, e a quente ganha e se aquece, invertendo-se a flecha termodinâmica do tempo.

Esta descoberta científica reforça a tese dos físicos Julian Barbour, Tim Koslowski e Flavio Mercati de que é a gravidade, em vez da termodinâmica, que libera a “corda” do “arco” que deixa a flecha do tempo voar. Isto sugere a existência de universos paralelos, e não um único universo se expandindo. Segundo o conceito de flecha do tempo gravitacional, na altura do Big Bang podem ter sido criados dois universos iguais e simétricos em que em um a flecha do tempo anda para a frente e no outro a flecha do tempo anda para trás.75

A noção de que existem diferentes futuros, passados e presentes, dada a coexistência de universos paralelos, em que tudo está acontecendo simultaneamente remete à questão da capacidade de fazer coisas como significado original de democracia, de que trata Josiah Ober no famoso artigo “The Original Meaning of Democracy: Capacity to Do Things, not Majority Rules” publicado na revista Constellations em 2008. O cientista percorre a história da democracia na Grécia antiga para afirmar que democracia consiste na capacidade coletiva de fazer as coisas acontecerem no domínio público e não simplesmente na existência de instituições democráticas.76

Não se trata simplesmente de uma questão de controle de um domínio público, mas da força e capacidade coletiva de agir nesse domínio e, na verdade, de reconstituir o domínio público através da ação.77 O mais maravilhoso de tudo isso é acreditar que podemos lutar para tornar nossos sonhos realidade, aqui e agora.

 

73 O frio que aquece texto de Roberto Serra na revista Pesquisa Fapesp edição 264, fevereiro de 2018, disponível em http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/02/09/o-frio-que-aquece/ acesso em 2018.

74 Idem.

75 Será que o Big Bang criou dois universos? texto de Jéssica Maes no site HypeScience disponível em https://hypescience.com/existe-um-universo-paralelo-se-movendo-para-tras-no-tempo/ acesso em 2018.

76 A significação original de “democracia”: capacidade de fazer coisas, não regra majoritária artigo de Josiah Ober traduzido por Luci Rodrigues de Figueiredo e Marcelo Garcia Santana na revista Direito, Filosofia, Ética e Linguagem, 2013.

77 Idem.

MINHA LINDA VIDA

<fernando> onde você nasceu? <carolina> quantas vezes você olha para o céu? <fernando> você gostaria de ir além da superfície? <carolina> se quando ouvimos um som somos banhados por ele, por que com a visão não pode ser igual? <fernando> o espaço não é pura transparência, ele está cheio de luz <carolina> de quem é essa citação? <fernando> não sei, isso soa cult <carolina> pertenço a muitos lugares <fernando> talvez eu pertença entre as estrelas <carolina> como naquele livro-jogo em que você nasce no meio do espaço e tem de decidir o planeta do qual será cidadão? <fernando> também li essa aventura! <carolina> dizem que os deuses olham para nós quando cai uma estrela no céu <fernando> um amigo me disse que a vida é como um céu estrelado, caminhamos pelo obscuro até topar com uma estrela <carolina> quem me dera topar com uma constelação…

Carolina, fiquei radiante ao receber ontem sua carta e tenho que te dizer que existe, sim, uma forma de leveza e de graça no simples fato de existir, que vai além das ocupações profissionais, além dos sentimentos poderosos, além dos engajamentos políticos e de todos os gêneros, e foi unicamente sobre isso que eu quis falar.69

O mundo existe por meio dos nossos sentidos, antes de existir de maneira ordenada no nosso pensamento, e temos de fazer de tudo para conservar, ao longo da vida, essa faculdade criadora dos sentidos: ver, ouvir, observar, entender, tocar, admirar, acariciar, sentir, cheirar, saborear, ter gosto por tudo, por todos, pelo próximo, enfim, pela vida.70 Trata-se, pura e simplesmente, da maneira de fazer de cada episódio da sua vida um tesouro de beleza e graça, que aumenta sem parar, sozinho, e que nos renova a cada dia.71

Tanto quanto sei, os robôs e seus amigos também têm um self, se apresentam como sujeitos com uma biografia, conhecimentos, emoções e corpo, como uma contraparte social para posar de alter-ego, alguém como eu, com quem se pode construir uma relação social. Mas então, o que distinguiria os seres humanos dos robôs, ou de outro modo, o que é a subjetividade? O importante a considerar é que a subjetividade está mergulhada em uma circularidade que, partindo da subjetividade, chega à objetividade do meio, e reciprocamente. É preciso considerar a subjetividade como um momento funcional, como um momento crítico-funcional.72

Nada disso é, realmente, uma coisa do outro mundo, não é mesmo?

 

69 O Sal da Vida de Françoise Héritier, editora Valentina, edição 06, 2014.

70 Idem.

71 Idem.

72 O que é a subjetividade de Jean-Paul Sartre, editora Nova Fronteira, edição 01, 2015.

MAKING WISHES ON STARS

Subi até o meu quarto, liguei o meu computador, tirei a mala do roupeiro. Arrumei alguma roupa na mala, o suficiente, enquanto o computador iniciava, fui no banheiro e arrumei a minha malinha de produtos de beleza, com a maquiagem e os cremes. Quando a mala ficou pronta desarrumei a cama e vesti o pijama, peguei no computador e deitei-me. Iniciei sessão no Facebook, Fernando estava online, começamos a conversar.

Fernando, o que sou eu além das definições exteriores que podem dar de mim: a aparência física, o caráter exposto em linhas gerais, as relações mantidas com o outro, as ocupações profissionais e pessoais, os laços familiares e de amizade, a reputação, os engajamentos, as vinculações a organizações?64

Além dessas definições, sem dúvida justas, mas também artificialmente construídas e enganosas, quem, em um sentido mais profundo, sou eu? E esse eu, que é a nossa riqueza, é construído quando nos abrimos para o mundo – a aptidão pelo observar, a empatia com o ser vivo, a necessidade de se incorporar ao real.65 O eu não é somente aquele que pensa e que faz, mas aquele que sente e que experimenta, segundo as leis, uma energia interna subjacente, incessantemente renovada.66

Você me fez querer ir atrás dessa força imperceptível que nos impulsiona e que nos define: acompanhar o voo de uma única andorinha no meio do bando, olhar, de cima, um gato que nem desconfia que está sendo observado, rir disfarçadamente, esperar o entardecer, regar as plantas e conversar com elas, apreciar o toque macio de um pêssego, ter um sobressalto de prazer ao som de uma voz, partir para uma aventura, organizar pequenos objetos disparatados, ficar na penumbra sem fazer nada, admirar os galhos agitados pelo vento, andar descalço, ouvir as vozes que ecoam do mar, prever que choverá no dia seguinte, desfrutar o prazer das conversas sem fim com velhos amigos, imaginar e inventar belas histórias…67

Certamente o inefável em momentos como esses consiste na suspensão crítica, na redução da situação objetiva, da mais radical subjetividade, o que nos distinguiria dos robôs, por exemplo. Desse modo, o que mais poderia dizer para você sobre minha vida?  Acho que isso é, na verdade, uma coisa do outro mundo, nos mundos virtuais, onde também experimentamos nossa existência, as comunidades se constituem mais centradas na ação e nos seus resultados do que nas afinidades sociais, culturais ou políticas entre seus membros.68 Vou continuar seguindo o método dos surrealistas, e trata-se de coisa muito séria, demasiado necessária para conservar o gosto da vida.

 

64 O Sal da Vida de Françoise Héritier, editora Valentina, edição 06, 2014.

65 Idem.

66 Idem.

67 Ibid.

68 Mundos virtuais e identidade social: processos de formação e mediação através da lógica do jogo artigo de José Carlos Ribeiro e Thiago Falcão na revista Logos, Rio de Janeiro, volume 16, número 01, 2010.

THE WORLD IS OUR PLAYGROUND

“The world is our playground”58 é um vídeo de Selk’bag® disponível no You Tube, a música “Pure” da banda Blackbird é acompanhada de belas imagens do deserto do Atacama, formações rochosas surpreendentes, um dos céus mais limpos do mundo, enquanto um casal acampando com os sacos de dormir Selk’bag® parece retroceder no tempo em um balé no deserto. Não planejava viajar com uma mochila nas costas, acampar, ou algo assim, mas assisti ao vídeo depois de receber uma recomendação do You Tube.

Nos principais sites da internet existem robôs tentando ler a sua mente – para mostrar conteúdo que realmente interesse a você – cada site tem o seu próprio sistema de recomendações, e é considerado um segredo comercial.59 Você gosta de uma música na Last.fm, imagine que você ouve uma música do Radiohead, uma não, várias: toda hora você fica ouvindo mp3 da banda e o site começa a tocar outras mais legais ainda.60 Primeiro o software procura pessoas que tenham feito escolhas parecidas com as suas, analisa os perfis para fazer deduções sobre os filmes, livros ou músicas e calcular se algo irá agradar ou não.61 Gavin Potter, um ex-engenheiro formado em psicologia criou modelos matemáticos que consideravam também o lado irracional das escolhas e deu certo: a inteligência das máquinas aumentou 8%.62

Cutucar alguém levemente com o intuito de chamar sua atenção em inglês chama-se nudge, que em sentido figurado significa persuadir ou encorajar de forma sutil. Nudge consiste em uma espécie de intervenção que possa influenciar a tomada de decisão preservando a liberdade de escolha. É uma maneira de manipular comportamentos colocando maçãs ao nível dos olhos nas cantinas escolares ao invés de doces nos caixas de supermercados, como fazem as empresas há décadas, por exemplo.

Países como a Inglaterra e Estados Unidos vêm utilizando o nudging em políticas públicas desde a publicação do livro “Nudge: Improving Decisions About Health, Wealth, and Happiness” de Richard Thaler e Cass Sunstein em 2008, porque acreditam que o nudging ajuda as pessoas a se comportarem do jeito que fariam se estivessem bem informadas.

Para governos que adotam políticas públicas de design de comportamento os mecanismos de recomendação seriam um problema? Na Declaração de Montreal para o Desenvolvimento Responsável da Inteligência Artificial há um posicionamento sobre questões como essa: recomenda-se para que a inteligência artificial possa ajudar na nossa auto-satisfação e felicidade que não impeça o nosso florescimento e não reduza o nosso entusiasmo.63

 

58 Disponível em https://youtu.be/9oqnGTZg1JQ acesso em 2018.

59 A inteligência das máquinas: como elas decifram os seus desejos e preferências texto de Pedro Burgos e Bruno Garattoni na Revista Superinteressante edição 287, janeiro de 2011, disponível em http://super.abril.com.br/tecnologia/a-inteligencia-das-maquinas-como-elas-decifram-os-seus-desejos-e-preferencias acesso em 2018.

60 Idem.

61 Idem.

62 Idem.

63 Declaração de Montreal para o Desenvolvimento Responsável da Inteligência Artificial disponível em https://www.montrealdeclaration-responsibleai.com/ acesso em 2018.

ÁGUA VIRTUAL

Em um texto memorável de 1995 o cientista Philip M. Fearnside argumentava em vinte páginas: extrativistas e outros povos da floresta necessitam desesperadamente de algo que possam vender. O desafio apontado seria converter serviços como a manutenção da biodiversidade, o armazenamento de carbono e a ciclagem da água em fluxos monetários, que possam apoiar uma população de guardiães da floresta, o que exigiria cruzar uma série de obstáculos.55

Comecei a calcular a quantidade de água exigida nas minhas atividades diárias, água verde, azul ou cinza, os conceitos de água virtual e pegada hídrica não se confundem. O conceito de Água Virtual foi introduzido por John Anthony Allan em 1998, sendo definida como água incorporada em “commodities”, ou seja, a água envolvida no processo produtivo de qualquer bem industrial ou agrícola. Pegada Hídrica é uma ferramenta desenvolvida para o cálculo da água necessária para produção de “commodities”, que representa o volume anual total de água utilizada para produzir os bens e serviços relacionados ao consumo. Esse conceito foi introduzido por Hoekstra e Hung em 2002, como um indicador para mapear o impacto do consumo humano em recursos globais de água doce.

Mas é possível ir as compras e salvar o planeta? William McDonaugh e Michael Braungart no livro Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things, lançado em 2002, pretendem que sim! Para eles os produtos de consumo deveriam ser fabricados imitando as leis da natureza, reaproveitando-se todos os elementos, em um ciclo de vida infinito.56 Um aparelho eletrônico como a TV, por exemplo, não seria mais adquirido pelo consumidor que compraria somente uma licença do produto, quando a TV estivesse velha poderia ser trocada por uma nova, devolvendo-se o aparelho ao fabricante que utilizaria os materiais em uma nova TV.57

Essa concepção altera por completo o conceito de “posse” sobre os bens e afeta a percepção que as pessoas têm de consumo. Para que sua floresta seja linda e radiante, talvez você queira incluir algo como cachoeiras e tempestades de vento, ou arco-íris permanentes!

 

55 Environmental Services as a Strategy for Sustainable Development in Rural Amazônia artigo publicado no livro Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Políticas Públicas, organizado por Clóvis Cavalcanti, Fundação Joaquim Nabuco, 2001.

56 Vá as compras e salve o mundo texto de Sabine Righetti e Karin Hueck na Revista Superinteressante edição 287, janeiro de 2011, disponível em https://super.abril.com.br/comportamento/va-as-compras-e-salve-o-mundo/ acesso em 2018.

57 Idem.

COISAS VIVAS

No início da década de 1970 John Conway, matemático, cria o Game of Life, demonstrando que é possível computadores apresentarem comportamento atribuído a seres vivos, e contribuiu decisivamente para suscitar uma nova área de conhecimento, a vida artificial. Hoje, Arduino é o exemplo mais pujante de objeto pós-complexo, um computador compacto e versátil, distribuído em kits como peça de Hardware Livre, um autêntico exemplo dos preceitos do movimento Arquitetura Livre em operação.52

Na antropologia apenas recentemente foram desenvolvidas perspectivas teóricas preocupadas com o papel dos objetos na rede de relações sociais. A Teoria do Ator-Rede de Bruno Latour considera que a vida social, a prática cotidiana, possui um caráter híbrido que permeia as relações entre objetos e pessoas, desse modo, objetos podem ser sujeitos, assim como sujeitos podem ser objetos.53 Tim Ingold vai além no seu Ambiente Sem Objetos, para Ingold, ao contrário de ocuparmos um mundo com objetos, nós habitamos um ambiente sem objetos, no qual nos juntamos aos processos de formação e dissolução de diferentes entidades, que correspondem às coisas, que assim como nós, também estão vivas, pois elas vazam por e através de suas superfícies por meio do entrelaçamento dos fios que as constituem.54

O recente reconhecimento da agência dos objetos na antropologia reacende no direito penal o debate em torno de um conceito ontológico ou normativo de ação.

A ação humana é concebida como um processo de mão única no qual o homem antecipando o resultado pretendido escolhe os meios suficientes para alcançá-lo, controlando o curso causal. Um conceito de ação que não ignora a agência dos objetos compreende o agir humano como um processo de mão dupla no qual o homem se insere em uma rede de relações sociais, interagindo com coisas vivas para alcançar um resultado pretendido. O resultado pretendido não pode ser visto como fruto da vontade exclusiva do agente, mas como congruência de pessoas e coisas dentro de um quadro de relações sociais específicas e próximas em um nicho de interação.

Quando se fala em vida artificial pode ser difícil separar a realidade da fantasia, mas os objetos deixaram de ser vistos como entidades passivas que somente sofrem os efeitos das ações humanas e hoje em dia o agir no mundo já não pode continuar sendo compreendido da mesma maneira.

 

52 Metadesign Ferramentas Estratégias e Ética para a Complexidade de Caio Adorno Vassão, editora Blucher, 2010.

53 A imaterialidade do material, a agência dos objetos ou as coisas vivas: a inserção de elementos inanimados na teoria social artigo de Fabiana Terhaag Merencio na revista Cadernos do LEPAARQ, volume 10, número 20, 2013.

54 Idem.

VERTICAL

A série de fotografias “See through: All my things”48 da artista plástica Helga Steppan foi exibida em 2008 durante três meses nos corredores do The Royal London Hospital em Whitechapel em um programa desenvolvido por instituições de caridade para proporcionar cura, conforto, bem-estar de pacientes, profissionais de saúde, comunidade hospitalar. Seguindo onze quadros vemos diversos pertences separados por cor, dispostos assimetricamente, há outro quadro onde todas as coisas se encontram agrupadas e empilhadas, por fim uma lista com os itens esquecidos da coleção.

A subjetividade não é matéria privada, do mundo interno, é pública e intersubjetiva, a subjetividade consiste em uma abertura pré-reflexiva e engajamento com a alteridade, a ação humana, particularmente a fala, assume uma forma socialmente instituída, essencial para seu significado.49

Isso significa que as pessoas precisam estabelecer, em suas interações, uma base temporária sobre a qual alguma negociação e renegociação de proposições entre os interlocutores seja possível, como balizas organizadoras de suas experiências pessoais ou que elementos simbólicos são padrões estabilizadores de interação e o que os torna um recurso é o fato de serem usados por alguém com determinado objetivo no contexto de uma transição. Os recursos simbólicos atuam para reorganizar o caos e a incerteza da situação presente, tal como se apresenta a cada sujeito, sugerindo possíveis ações e gerando novos problemas.50

Percepção háptica é o resultado de esforços coordenativos entre habilidades cinestésicas e tatuais. O indivíduo pode fazer contatos com o mundo através de elementos não-biológicos, sistemas biológicos podem construir mecanismos dinâmicos a partir de coisas não-biológicas e detectar informação na tentativa de manter ou mudar o estado atual do sistema. O modo linear da percepção via discriminação verbal pode não necessariamente seguir o modo não-linear dos ajustes motores durante a execução de uma tarefa que desafie o equilíbrio, por exemplo.51

A expressão autonomia pessoal corresponde à noção de pessoalidade, personhood, que denota mais uma certa lógica dos relacionamentos que um atributo dos sujeitos sociais. O sentido fundamental de possuir autonomia pessoal é o de ser respeitado e poder tomar decisões éticas como pessoa humana. O código civil francês, em nova redação do seu art. 9.ᵒ prevê uma hipótese de intervenção preventiva do juiz, que pode “sem prejuízo da reparação de danos sofridos, determinar todas as medidas, próprias a impedir ou fazer cessar um atentado à intimidade da vida privada; havendo urgência, essas medidas podem ser determinadas liminarmente”.

 

48  Disponível em https://trendland.com/helga-steppans-see-through-series/ acesso em 2014.

49 A negociação intersubjetiva de significados em Jogos de Interpretação de Papéis artigo de Danilo Silva Guimarães e Lívia Mathias Simão na revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, volume 24, número 04, 2008.

50 Idem.

51 Percepção e ação: direções teóricas e experimentais atuais artigo de Eliane Mauerberg de Castro na revista Paidéia, Ribeirão Preto, volume 14, número 27, 2004.