ENJOY

Enjoy83 é uma música da cantora islandesa Björk lançada em 1995 no seu segundo álbum Post em que no refrão a canção diz assim: eu apenas estou nisso para curtir. Lembrei dessa música quando li na internet a notícia de que a tecnologia blockchain já está sendo utilizada na indústria de energia elétrica.

Em 08 de novembro de 2009 mais da metade da eletricidade da Espanha foi gerada pelo vento e exportada para países vizinhos. Nove países da Europa já concordaram em unir suas “smart grids” (redes elétricas inteligentes) fazendo linhas de transmissão sobre o mar do Norte, o sonho futurista é cruzar nove linhas sobre o Mediterrâneo para usar a energia solar do Saara no abastecimento das comunidades e megacidades.84 A Bahia possui o segundo parque eólico instalado no país, conforme aponta Atlas do Potencial Eólico Brasileiro publicado pelo Ministério de Minas e Energia.85 Os contratos de arrendamento para instalação de torres de energia eólica estipulam “royalties” em percentuais da receita líquida de cada máquina em funcionamento nas propriedades rurais.

Com a utilização da tecnologia blockchain este cenário que se delineia para as “smart grids” na indústria de energia elétrica torna-se um pouco mais complexo, pois torna-se possível a qualquer pessoa que possua uma placa de energia solar vender energia elétrica para a rede de distribuição e para outros usuários ou comprar, caso precise complementar sua própria produção, diretamente, sem necessidade de intermediários para efetuar as transações.

O blockchain pode ser definido como um banco de dados distribuído em rede, consensual e que garante integridade da informação, neste banco de dados, as transações são agrupadas sequencialmente em “blocos” em uma “cadeia” e a autenticidade das informações é garantida devido à criptografia e às assinaturas digitais.86 Trata-se, portanto, de uma maneira segura, descentralizada e altamente eficiente para monitorar e gerir infinitas transações. Além disso, esta tecnologia promove transparência e confiança, produzindo registros imutáveis e garantindo a execução de determinados processos, por isso a tecnologia blockchain é capaz de transformar os modelos operacionais de uma indústria por completo.87

Acontece que a Associação Europeia de Operadoras de Grids Entso-E publicou em 14 de janeiro de 2015 estudo apontando a necessidade de reduzir riscos operacionais na rede de distribuição de energia, o problema consistiria na elevada quantidade de energia fotovoltaica dispersa devido a falhas de conexão e conversão da energia produzida.88 Os prosumidores, consumidores que também produzem e compartilham energia excedente, não são apenas uma parte interessada importante das redes inteligentes, mas também têm um papel vital no gerenciamento da demanda de pico. Bem, parece que não é tão simples quanto se pensa participar da cadeia produtiva do setor de energia elétrica.

 

83 Disponível em https://youtu.be/Ua4Jv29cLi8 acesso em 2018.

84 National Geographic Brasil, ano 11, edição 125, agosto de 2010, seção Energia.

85 Ministério de Minas e Energia disponível em http://www.mme.gov.br/ acesso em 2018.

86 Perspectivas da tecnologia blockchain no setor elétrico: aplicações na Europa, na Austrália e nos Estados Unidos artigo de Nivalde de Castro, Antônio Lima e Guillermo Pereira publicado pela Agência Canal Energia disponível em https://bit.ly/2NG0fhc acesso em 2018.

87 Idem.

88 Entso-e European Network of Transmission System Operators for Electricity disponível em https://www.entsoe.eu/ acesso em 2018.

CORRIDA ESPACIAL

No seu segundo álbum The Race for Space, ambientado na corrida espacial, a banda inglesa Public Service Broadcasting elaborou cada uma das faixas inspirada em algum evento histórico que marcou a disputa pelo espaço entre os Estados Unidos da América e a União Soviética nos anos 60. No ápice da corrida espacial quando em 1969 a Apollo 11 cumpriu a missão de pousar os primeiros humanos na Lua, o controle da missão utilizava o protocolo Go/No Go para garantir que todos os sistemas estavam em ordem, antes de realizar algum procedimento. Na faixa Go!78 o instrumental do Public Service Broadcasting se mistura com as gravações de áudio originais desses momentos históricos do Projeto Apollo.

Em 2016, nos Dicionários Oxford, pós-verdade foi classificada como a palavra do ano, e foi descrita como relacionada a ou denotando circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência na formação da opinião pública do que os apelos às emoções e à crença pessoal.79 Será que todo o progresso que fizemos desde a revolução científica foi obliterado por um tiroteio de tweets e postagens nas redes sociais? Não.80

Mesmo quando eruditos anunciaram o fim da veracidade, e políticos relaxaram quanto à verdade, o competitivo mercado das ideias respondeu com uma nova ferramenta digital: a checagem de fatos em tempo real.81 À medida que os políticos distorciam a realidade em seus discursos, os checadores do Snopes.com, do FactCheck.org e do OpenSecrets.org os avaliava por sua verossimilhança, e o PolitiFact.com os classificava como verdade, na maioria verdade ou meia-verdade, instaurando-se uma nova ética da checagem de fatos, já que muitas pessoas passaram a clicar em histórias de checagem após um debate ou um acontecimento de grande destaque.82

O problema é que o espaço público não tem se configurado, propriamente falando, como espaço propício à interlocução, e sim como lugar de embate entre vontades emocionadas. Na dinâmica instaurada com a utilização de ferramentas digitais de checagem de fatos a verificação se tornou até mesmo uma sensacionalista caça ao clique. Ora, em tempos de pós-verdade, quando o que importa para as pessoas é a expressão de seus sentimentos e atitudes, o uso de um argumento racional nada mais é que um recurso estratégico visando a obtenção desse fim.

O espaço cósmico, as esferas celestes, já não diz respeito a ninguém, nem mesmo aos astronautas.

 

78 Disponível em https://youtu.be/BHIo6qwJarI acesso em 2018.

79 Falsa factualidade texto de Michael Shermer na revista Scientific American ano 16, número 183.

80 Idem.

81 Idem.

82 Ibid.

FLECHA DO TEMPO, UNIVERSOS PARALELOS, CAPACIDADE DE FAZER COISAS

Na natureza, a energia degenera, por isso o café quente que você toma para ficar desperto não esquenta na xícara, ele esfria. No mundo macroscópico, de acordo com a segunda lei da termodinâmica, o passar do tempo leva, inexoravelmente, ao aumento da desordem, a uma maior entropia. Mas, no limite em que se consideram átomos e elétrons, fenômenos estranhos acontecem: a ordem das trocas de calor pode se inverter e a entropia do sistema pode diminuir, dando a impressão de que o tempo fluiu na direção do passado.73

Segundo estudo de uma equipe internacional coordenada por físicos brasileiros a inversão da flecha termodinâmica do tempo ocorre em uma condição específica: apenas quando se estabelece um emaranhamento entre os átomos das partículas, com o emprego da técnica de ressonância magnética.74 Então a partícula fria perde calor e esfria, e a quente ganha e se aquece, invertendo-se a flecha termodinâmica do tempo.

Esta descoberta científica reforça a tese dos físicos Julian Barbour, Tim Koslowski e Flavio Mercati de que é a gravidade, em vez da termodinâmica, que libera a “corda” do “arco” que deixa a flecha do tempo voar. Isto sugere a existência de universos paralelos, e não um único universo se expandindo. Segundo o conceito de flecha do tempo gravitacional, na altura do Big Bang podem ter sido criados dois universos iguais e simétricos em que em um a flecha do tempo anda para a frente e no outro a flecha do tempo anda para trás.75

A noção de que existem diferentes futuros, passados e presentes, dada a coexistência de universos paralelos, em que tudo está acontecendo simultaneamente remete à questão da capacidade de fazer coisas como significado original de democracia, de que trata Josiah Ober no famoso artigo “The Original Meaning of Democracy: Capacity to Do Things, not Majority Rules” publicado na revista Constellations em 2008. O cientista percorre a história da democracia na Grécia antiga para afirmar que democracia consiste na capacidade coletiva de fazer as coisas acontecerem no domínio público e não simplesmente na existência de instituições democráticas.76

Não se trata simplesmente de uma questão de controle de um domínio público, mas da força e capacidade coletiva de agir nesse domínio e, na verdade, de reconstituir o domínio público através da ação.77 O mais maravilhoso de tudo isso é acreditar que podemos lutar para tornar nossos sonhos realidade, aqui e agora.

 

73 O frio que aquece texto de Roberto Serra na revista Pesquisa Fapesp edição 264, fevereiro de 2018, disponível em http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/02/09/o-frio-que-aquece/ acesso em 2018.

74 Idem.

75 Será que o Big Bang criou dois universos? texto de Jéssica Maes no site HypeScience disponível em https://hypescience.com/existe-um-universo-paralelo-se-movendo-para-tras-no-tempo/ acesso em 2018.

76 A significação original de “democracia”: capacidade de fazer coisas, não regra majoritária artigo de Josiah Ober traduzido por Luci Rodrigues de Figueiredo e Marcelo Garcia Santana na revista Direito, Filosofia, Ética e Linguagem, 2013.

77 Idem.

MINHA LINDA VIDA

<fernando> onde você nasceu? <carolina> quantas vezes você olha para o céu? <fernando> você gostaria de ir além da superfície? <carolina> se quando ouvimos um som somos banhados por ele, por que com a visão não pode ser igual? <fernando> o espaço não é pura transparência, ele está cheio de luz <carolina> de quem é essa citação? <fernando> não sei, isso soa cult <carolina> pertenço a muitos lugares <fernando> talvez eu pertença entre as estrelas <carolina> como naquele livro-jogo em que você nasce no meio do espaço e tem de decidir o planeta do qual será cidadão? <fernando> também li essa aventura! <carolina> dizem que os deuses olham para nós quando cai uma estrela no céu <fernando> um amigo me disse que a vida é como um céu estrelado, caminhamos pelo obscuro até topar com uma estrela <carolina> quem me dera topar com uma constelação…

Carolina, fiquei radiante ao receber ontem sua carta e tenho que te dizer que existe, sim, uma forma de leveza e de graça no simples fato de existir, que vai além das ocupações profissionais, além dos sentimentos poderosos, além dos engajamentos políticos e de todos os gêneros, e foi unicamente sobre isso que eu quis falar.69

O mundo existe por meio dos nossos sentidos, antes de existir de maneira ordenada no nosso pensamento, e temos de fazer de tudo para conservar, ao longo da vida, essa faculdade criadora dos sentidos: ver, ouvir, observar, entender, tocar, admirar, acariciar, sentir, cheirar, saborear, ter gosto por tudo, por todos, pelo próximo, enfim, pela vida.70 Trata-se, pura e simplesmente, da maneira de fazer de cada episódio da sua vida um tesouro de beleza e graça, que aumenta sem parar, sozinho, e que nos renova a cada dia.71

Tanto quanto sei, os robôs e seus amigos também têm um self, se apresentam como sujeitos com uma biografia, conhecimentos, emoções e corpo, como uma contraparte social para posar de alter-ego, alguém como eu, com quem se pode construir uma relação social. Mas então, o que distinguiria os seres humanos dos robôs, ou de outro modo, o que é a subjetividade? O importante a considerar é que a subjetividade está mergulhada em uma circularidade que, partindo da subjetividade, chega à objetividade do meio, e reciprocamente. É preciso considerar a subjetividade como um momento funcional, como um momento crítico-funcional.72

Nada disso é, realmente, uma coisa do outro mundo, não é mesmo?

 

69 O Sal da Vida de Françoise Héritier, editora Valentina, edição 06, 2014.

70 Idem.

71 Idem.

72 O que é a subjetividade de Jean-Paul Sartre, editora Nova Fronteira, edição 01, 2015.

MAKING WISHES ON STARS

Subi até o meu quarto, liguei o meu computador, tirei a mala do roupeiro. Arrumei alguma roupa na mala, o suficiente, enquanto o computador iniciava, fui no banheiro e arrumei a minha malinha de produtos de beleza, com a maquiagem e os cremes. Quando a mala ficou pronta desarrumei a cama e vesti o pijama, peguei no computador e deitei-me. Iniciei sessão no Facebook, Fernando estava online, começamos a conversar.

Fernando, o que sou eu além das definições exteriores que podem dar de mim: a aparência física, o caráter exposto em linhas gerais, as relações mantidas com o outro, as ocupações profissionais e pessoais, os laços familiares e de amizade, a reputação, os engajamentos, as vinculações a organizações?64

Além dessas definições, sem dúvida justas, mas também artificialmente construídas e enganosas, quem, em um sentido mais profundo, sou eu? E esse eu, que é a nossa riqueza, é construído quando nos abrimos para o mundo – a aptidão pelo observar, a empatia com o ser vivo, a necessidade de se incorporar ao real.65 O eu não é somente aquele que pensa e que faz, mas aquele que sente e que experimenta, segundo as leis, uma energia interna subjacente, incessantemente renovada.66

Você me fez querer ir atrás dessa força imperceptível que nos impulsiona e que nos define: acompanhar o voo de uma única andorinha no meio do bando, olhar, de cima, um gato que nem desconfia que está sendo observado, rir disfarçadamente, esperar o entardecer, regar as plantas e conversar com elas, apreciar o toque macio de um pêssego, ter um sobressalto de prazer ao som de uma voz, partir para uma aventura, organizar pequenos objetos disparatados, ficar na penumbra sem fazer nada, admirar os galhos agitados pelo vento, andar descalço, ouvir as vozes que ecoam do mar, prever que choverá no dia seguinte, desfrutar o prazer das conversas sem fim com velhos amigos, imaginar e inventar belas histórias…67

Certamente o inefável em momentos como esses consiste na suspensão crítica, na redução da situação objetiva, da mais radical subjetividade, o que nos distinguiria dos robôs, por exemplo. Desse modo, o que mais poderia dizer para você sobre minha vida?  Acho que isso é, na verdade, uma coisa do outro mundo, nos mundos virtuais, onde também experimentamos nossa existência, as comunidades se constituem mais centradas na ação e nos seus resultados do que nas afinidades sociais, culturais ou políticas entre seus membros.68 Vou continuar seguindo o método dos surrealistas, e trata-se de coisa muito séria, demasiado necessária para conservar o gosto da vida.

 

64 O Sal da Vida de Françoise Héritier, editora Valentina, edição 06, 2014.

65 Idem.

66 Idem.

67 Ibid.

68 Mundos virtuais e identidade social: processos de formação e mediação através da lógica do jogo artigo de José Carlos Ribeiro e Thiago Falcão na revista Logos, Rio de Janeiro, volume 16, número 01, 2010.

THE WORLD IS OUR PLAYGROUND

“The world is our playground”58 é um vídeo de Selk’bag® disponível no You Tube, a música “Pure” da banda Blackbird é acompanhada de belas imagens do deserto do Atacama, formações rochosas surpreendentes, um dos céus mais limpos do mundo, enquanto um casal acampando com os sacos de dormir Selk’bag® parece retroceder no tempo em um balé no deserto. Não planejava viajar com uma mochila nas costas, acampar, ou algo assim, mas assisti ao vídeo depois de receber uma recomendação do You Tube.

Nos principais sites da internet existem robôs tentando ler a sua mente – para mostrar conteúdo que realmente interesse a você – cada site tem o seu próprio sistema de recomendações, e é considerado um segredo comercial.59 Você gosta de uma música na Last.fm, imagine que você ouve uma música do Radiohead, uma não, várias: toda hora você fica ouvindo mp3 da banda e o site começa a tocar outras mais legais ainda.60 Primeiro o software procura pessoas que tenham feito escolhas parecidas com as suas, analisa os perfis para fazer deduções sobre os filmes, livros ou músicas e calcular se algo irá agradar ou não.61 Gavin Potter, um ex-engenheiro formado em psicologia criou modelos matemáticos que consideravam também o lado irracional das escolhas e deu certo: a inteligência das máquinas aumentou 8%.62

Cutucar alguém levemente com o intuito de chamar sua atenção em inglês chama-se nudge, que em sentido figurado significa persuadir ou encorajar de forma sutil. Nudge consiste em uma espécie de intervenção que possa influenciar a tomada de decisão preservando a liberdade de escolha. É uma maneira de manipular comportamentos colocando maçãs ao nível dos olhos nas cantinas escolares ao invés de doces nos caixas de supermercados, como fazem as empresas há décadas, por exemplo.

Países como a Inglaterra e Estados Unidos vêm utilizando o nudging em políticas públicas desde a publicação do livro “Nudge: Improving Decisions About Health, Wealth, and Happiness” de Richard Thaler e Cass Sunstein em 2008, porque acreditam que o nudging ajuda as pessoas a se comportarem do jeito que fariam se estivessem bem informadas.

Para governos que adotam políticas públicas de design de comportamento os mecanismos de recomendação seriam um problema? Na Declaração de Montreal para o Desenvolvimento Responsável da Inteligência Artificial há um posicionamento sobre questões como essa: recomenda-se para que a inteligência artificial possa ajudar na nossa auto-satisfação e felicidade que não impeça o nosso florescimento e não reduza o nosso entusiasmo.63

 

58 Disponível em https://youtu.be/9oqnGTZg1JQ acesso em 2018.

59 A inteligência das máquinas: como elas decifram os seus desejos e preferências texto de Pedro Burgos e Bruno Garattoni na Revista Superinteressante edição 287, janeiro de 2011, disponível em http://super.abril.com.br/tecnologia/a-inteligencia-das-maquinas-como-elas-decifram-os-seus-desejos-e-preferencias acesso em 2018.

60 Idem.

61 Idem.

62 Idem.

63 Declaração de Montreal para o Desenvolvimento Responsável da Inteligência Artificial disponível em https://www.montrealdeclaration-responsibleai.com/ acesso em 2018.

ÁGUA VIRTUAL

Em um texto memorável de 1995 o cientista Philip M. Fearnside argumentava em vinte páginas: extrativistas e outros povos da floresta necessitam desesperadamente de algo que possam vender. O desafio apontado seria converter serviços como a manutenção da biodiversidade, o armazenamento de carbono e a ciclagem da água em fluxos monetários, que possam apoiar uma população de guardiães da floresta, o que exigiria cruzar uma série de obstáculos.55

Comecei a calcular a quantidade de água exigida nas minhas atividades diárias, água verde, azul ou cinza, os conceitos de água virtual e pegada hídrica não se confundem. O conceito de Água Virtual foi introduzido por John Anthony Allan em 1998, sendo definida como água incorporada em “commodities”, ou seja, a água envolvida no processo produtivo de qualquer bem industrial ou agrícola. Pegada Hídrica é uma ferramenta desenvolvida para o cálculo da água necessária para produção de “commodities”, que representa o volume anual total de água utilizada para produzir os bens e serviços relacionados ao consumo. Esse conceito foi introduzido por Hoekstra e Hung em 2002, como um indicador para mapear o impacto do consumo humano em recursos globais de água doce.

Mas é possível ir as compras e salvar o planeta? William McDonaugh e Michael Braungart no livro Cradle to Cradle – Remaking the Way We Make Things, lançado em 2002, pretendem que sim! Para eles os produtos de consumo deveriam ser fabricados imitando as leis da natureza, reaproveitando-se todos os elementos, em um ciclo de vida infinito.56 Um aparelho eletrônico como a TV, por exemplo, não seria mais adquirido pelo consumidor que compraria somente uma licença do produto, quando a TV estivesse velha poderia ser trocada por uma nova, devolvendo-se o aparelho ao fabricante que utilizaria os materiais em uma nova TV.57

Essa concepção altera por completo o conceito de “posse” sobre os bens e afeta a percepção que as pessoas têm de consumo. Para que sua floresta seja linda e radiante, talvez você queira incluir algo como cachoeiras e tempestades de vento, ou arco-íris permanentes!

 

55 Environmental Services as a Strategy for Sustainable Development in Rural Amazônia artigo publicado no livro Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Políticas Públicas, organizado por Clóvis Cavalcanti, Fundação Joaquim Nabuco, 2001.

56 Vá as compras e salve o mundo texto de Sabine Righetti e Karin Hueck na Revista Superinteressante edição 287, janeiro de 2011, disponível em https://super.abril.com.br/comportamento/va-as-compras-e-salve-o-mundo/ acesso em 2018.

57 Idem.